DE CADEIRA

By Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Foi nas últimas touradas...

A postos os amadores;

De senhoras e senhores

Cheias as arquibancadas...

Num camarote ele e ela

Aplaudem. Um grito rouco

Se escuta: foi o Tinoco

Que quebrou uma costela!

Que sustos! que reboliço!

Ela espauta-se. Ele, sério,

Murmura com ar funéreo:

“Eu esperava por isso!

O touro é bicho bondoso...

Mas basta que alguém o irrite!

Passado certo limite,

Ei-lo medonho e furioso...”

E ela sorrindo, brejeira,

Diz-lhe, pálida, ao ouvido:

“Não duvido! não duvido!

Você falia de cadeira...”