De longe

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Quando eu parti de casa era a nossa filhinha

Tão tenra como um lírio e era da mesma altura

De uma garoa marinha, uma garça marinha,

Dessas que têm do arminho a imaculada alvura.

Hoje por certo está muito mais taludinha,

Pois já sabe pular na esteira de verdura,

Pelas mãos de quem é a sua vida e a minha,

E para quem eu sou o trigal da ventura.

Mas, como a vida é fel para quem vive ausente!

E eu me vejo sozinho, ante o mar inclemente,

Sozinho nesta praia, a olhar o espaço, em vão...

Ah! visse eu essa filha eternamente amada,

E tê-la-ia então contra o peito, abraçada,

Como a ovelhinha humilde à cruz de São João.