De onde ele me fala

By Juvêncio de Araújo Figueredo

“Queres subir e ver de perto os mundos de ouro

Principalmente aquele em que me vejo? Queres?

Medita então num belo e rápido pelouro

Que rompesse do espaço infindos rosicleres...

Ou medita também num rútilo besouro

Que, depois de voar por sobre malmequeres,

Pousasse neste imenso e claro campo louro,

Presidido por Flora e pela própria Ceres.

De longe, para ti, o mundo onde me vejo,

Bem parece esse inseto, ou, talvez, um lampejo

Quase extinto, a rolar nas profundas distâncias...

Entretanto, é o meu lar, entre os mundos diversos,

Este para o qual vim na harmonia dos versos,

E nas asas febris dos pássaros das ânsias”.