DEDICA HUM ESTUDANTE HUMAS CONCLUZÕES AO DITO COM O BRAZÃO DOS NEYVAS NA FAXADA:...
Digam, os que argumentaram,
qual mais desaforo indica,
quem as conclusões dedica,
ou a quem se dedicaram:
se as torres, que lhe gravaram
com tanta magnificência
não são da sua ascendência,
posto que dos Neivas são,
concedo-lhe a conclusão,
mas nego-lhe a consequência.
Concedo, que aquele escudo
com gravados torreões
seja dos Neivas brasões,
mas não de um Neiva orelhudo:
que homem pode haver sisudo,
que vendo aquele jumento
não conclua o argumento,
de que os seus timbres, e duelos
não são torres, são castelos,
porém castelos de vento.
A um cavalheiro vilão
estas armas lhe hão de dar,
sobre escudo verde-mar
uma aguilhada, e um podão:
item porque lá em Milão
morando na casa alheia
foi Lacaio de libréia,
passa-aqui de rocinante,
lhe dão em campo brilhante
uma almofaça, e uma peia.
Pelo torreão guerreiro
dão-lhe em jurídica forma,
na praia uma plaraforma,
onde seja aguardenteiro:
e porque vai a escudeiro
por casar co’a Indiana
com dote de porcelana,
e enxoval de canequim,
lhe dão por armas enfim
um chuço, uma partasana.
Desaforo tão insano
sofrerão outras nações,
que dedique as conclusões
um magano a outro magano?
que sendo costume lhano
oferecer, e dedicar
ao Prelado, ao Titular,
ao Príncipe, ao Monarca,
se veja uma suja alparca
em tão subido espaldar?
Mas enfim, que lhe importou
ver-se assim entronizado,
se tão vil é o dedicado,
como quem lhe dedicou?
tudo o diabo levou,
a honra, a dedicatória
a honra tornou-se escória,
a dedicatória em mijo:
o Brasil se ri de riso,
aqui paz, e depois glória.