DEITANDO UM CAVALO À MARGEM
Vai, mísero cavalo lazarento,
Pastar longas campinas livremente;
Não percas tempo, enquanto t’o consente
De magros cães faminto ajuntamento:
Esta sela, teu único ornamento,
Para sinal de minha dor veemente.
De torto prego ficará pendente,
Despojo inútil do inconstante vento:
Morre em paz; que em havendo algum dinheiro,
Hei de mandar, em honra de teu nome.
Abrir em negra pedra este letreiro:
“Aqui, piedoso entulho os ossos come
Do mais fiel, mais rápido seadeiro,
Que fora eterno a não morrer de fome.”