DEITANDO UM CAVALO À MARGEM

By Nicolau Tolentino de Almeida

Vai, mísero cavalo lazarento,

Pastar longas campinas livremente;

Não percas tempo, enquanto t’o consente

De magros cães faminto ajuntamento:

Esta sela, teu único ornamento,

Para sinal de minha dor veemente.

De torto prego ficará pendente,

Despojo inútil do inconstante vento:

Morre em paz; que em havendo algum dinheiro,

Hei de mandar, em honra de teu nome.

Abrir em negra pedra este letreiro:

“Aqui, piedoso entulho os ossos come

Do mais fiel, mais rápido seadeiro,

Que fora eterno a não morrer de fome.”