Deixa...

By Delminda Silveira de Sousa

Como frouxo luar que se derrama

sereno, docemente, na campina,

dos teus olhos se esparze a luz divina

com que minh’alma se embriaga e inflama:

Suave, como o sonho de quem ama,

lisonjeira esperança me fascina,

e a fé tão pura que o teu riso ensina

a um Éden de amor minh’alma chama.

Oh! — dá que nunca minta o brilho ameno

que se difunde destes olhos belos,

formosos como o Céu de azul sereno...

Deixa-me sempre carinhosos vê-los,

enquanto neste mundo eu triste peno

a viver de ilusões, sonhos e anelos!...