Deixa...

By Juvêncio de Araújo Figueredo

A gente sofre assim e vem depois a morte,

E triste nos conduz no seu carro funéreo,

Até o negro chão do augúrio cemitério,

Onde em mágoas soluçam o vento sul e o norte.

A gente sofre assim, nessa medonha sorte

Que este mundo amortalha em profundo mistério,

Sob a fria mudez da curva azul do etéreo;

E não há outro ser que mais ânsias suporte...

Antes, porém, que chegue a morte, ó minha amada,

Deixa que eu sonhe e faça uns versos na abençoada

Ermida do teu peito em flor, em cujo altar

A tua alma recorda a estrela da alvorada

Quando sobe, gloriosa, a montanha escarpada

Daquele campo de onde a gente avista o mar.