Desanimada

By Juvêncio de Araújo Figueredo

De olhos quase sem luz e lábios macilentos,

E mãos como as de quem as regelou a morte,

Vejo num carro, pelo escabroso recorte

De um caminho que a tarde enche de tons nevoentos.

Amortalhada jaz nos desfalecimentos

De uma moléstia atroz, sem confiar na sorte

De afastar do seu peito a funesta coorte

De tanta dor, ansiando em tristes pensamentos...

Estendida, depois, numa velha canoa

Ruma ao velho hospital, envolta na garoa

Que se alastra, gelada, às campinas agrestes!

Pensa num filho e encharca as pálpebras de pranto,

No pavor que lhe dá, de longe, o Campo Santo,

Com brancuras de ossada à sombra dos ciprestes.