DESCREVE O ENCONTRO, QUE TEVE COM A MULATA ESPERANÇA NO SITIO DA CATALLA.
Na Catala me encontrei
onte onte com Esperança
e porque à Catala fui,
dizem, que fui a catá-la.
Mentem por vida d’El-Rei,
que mal podia ir buscá-la,
quem em sua negra vida
não tinha visto tal Parda.
Dei em buscá-la ao depois
porque a boa da Mulata
fez de andar por mim perdida
os meios de ser buscada.
Dei com ela, e perguntando,
onde vivia, e morava,
de quem era, a quem servia,
e se andava amancebada;
Ela respondeu em forma,
e disse as formais palavras
“eu, meu Senhor dos meus olhos,
e meu Doutor da minha alma,
sou cativa de você
e de Luiz Correia escrava,
onde vivo, é lá na Ponta,
onde mato, é na Catala.
Amancebada não sou,
porque a sorte me guardava
este encontro de você
para enlaçar-nos as almas.
Aqui estou a seu serviço,
veja agora, o que me manda,
que se me manda assentar,
me verá logo deitada.
Não sou mulher de invenções,
que cerimônias não gasta
com os homens de respeito,
quem corre do mundo a mafra.
Agradeci-lhe os favores
com meu par de pataratas,
fui-me chegando para ela,
fui-lhe erguendo logo as fraldas.
Fui pelas fraldas ao monte,
e quando lhe pus a palma,
foi pouca para o cobrir,
porque o monte era montanha.
Foi isto na capoeira,
e ela me cacarejava
tanto, que como à galinha,
eu galo deitei-lhe a gala.
Outra gala me pediu,
que eu prometi com mão larga,
e a hei de galar mais vezes
por lhe cumprir a palavra.