DESCREVE O POETA O MELINDRE, COM QUE ESTA GALHARDA DAMA SAHIO A VARIAS PESSOAS, E SOMENTE A PEDITORIO DE GENEBRA.
Depois de mil petições
deste, daquele, e daquela
saiu Brites pare fora
a rogo só de Genebra.
Atravessou toda a sala,
chegou, e tomou cadeira,
ela diz, que com vergonha,
mas eu não dou fé de vê-la.
Porque a coisa mais oculta,
mais escondida, e secreta,
é de Brites a vergonha,
porque não há, quem lha veja.
Vi eu aquele prodígio
de graça, e de gentileza,
e absorto estive admirando
sobre uma pedra outra pedra.
Até que tornei em mim,
e por cortês recompensa
(uma razão mais, ou menos)
lhe fui dizendo esta arenga.
Permitiu minha ventura,
não sei se a minha desgraça,
que não cegasse com ver-te,
para padecer mais ânsias.
Que sempre em ódio de um triste
faz natureza mudanças
pois cheguei a ver um sol,
sem ter as potências d’águia.
Movido da mão de Amor,
das liberdades pirata,
por fim dei a meus suspiros
tumba ardente, amante frágua.
E por ser curta a vitória
para beleza tamanha,
achei, que era pouco excesso
entregar-te toda um’alma.
De novo não me rendi,
que era fineza encontrada,
ter ainda, que render-te
d’alma, que vencida estava.
Mas por obrar as finezas
em respondência das causas
fiz contando as tuas prendas
mil holocaustos desta alma.
Enfadei de mui rendido,
que amor sem ventura enfada,
mas não me emendei de amar-te,
de mofino me emendara.
Vimos p’ra casa, e cantei
ao som da minha guitarra
“ay, verdades, que en amor
siempre fuistes desdichadas.”
E Brites me respondeu
tão doce, como tirana:
en vano llama la puerta,
quien no ha llamado en el alma.