DESCULPA, INVITA MINERVA
Quis fazer por força uns versos,
Tomei a pena e o papel,
Casam-se os metros dispersos
Como as línguas de Babel.
Desvaira-se o pensamento,
Foge a ideia a bom fugir.
Matéria, assunto, argumento,
Nada me vem acudir.
A cabeça não se escalde,
Por faltar-lhe a inspiração;
Sem esta sempre debalde
Trabalha o poeta em vão.
Rebelde o espírito
Hoje se fez?
Pois bem, eu guardo-me
Para outra vez.
E quando menos
O esperar,
Versos amenos
Hei de rimar.
O ensejo próprio
É essencial
Conceito lúcido
É casual.
Se a rima pobre
Foi-me infiel,
Antes me sobre
Tinta e papel.