Desobediente

By Juvêncio de Araújo Figueredo

“Filho, não partas, olha o verde Cambirela.

Cinge-o urna faixa branca, o sinal dos pampeiros”.

Mas o rapaz partiu, numa canoa, à vela,

Por se julgar o mais astuto dos tanoeiros.

E uns momentos depois, toda a vasta aquarela

De recortes do mar, de pedras e salgueiros,

Com leves tons azuis numa tinta amarela,

Era riscada a fogo e cheia de aguaceiros!

E junto dos Guarás, lá se foi a canoa

Por água abaixo e quilha à mostra, ao léu, à toa:

E lá se foi, na morte, o rapaz resoluto.

E agora, nesta praia em curva, em pleno maio,

Sob esta tempestade, ao flamejar do raio,

Eis outro coração de mãe também de luto!