DESTA ENFERMIDADE PASSOU CATONA A CURAR-SE NA VILA DE SAM FRANCISCO, ONDE O POET...
É chegada a Catona,
e vem muito doente,
que se há gostos, que matem,
havê-los-á, que enfermem.
Se enferma de seus gostos,
gosta, do que padece,
e assim ninguém a cure,
que, quem a cura, a ofende.
Da gente desta casa
ninguém há, que penetre,
se ele apertou com ela,
se ela apertou com ele.
O que se sabe ao certo,
é, que se ela adoece
daquilo de que vive,
livre está de morrer-se.
É ditosa Catona,
que quanto mais padece,
mais assegura a vida,
pois vive, do que geme.
Para se não enferma,
contra mim adoece,
se morre por deixar-me,
hei medo, que me deixe.
Na sua enfermidade
logra dous interesses,
o gosto de enfermar-se,
e o prazer de morrer-me
Se a curo então a ofendo,
pois lhe tiro os prazeres:
se a não curo, me mato,
valha-me Deus, mil vezes.
Que nesta confusão,
em que o fado me mete,
ou se cure, ou não cure,
hei medo, que me enterre.