Deus!
Do sol no resplendor, da lua na beleza,
nos brilhos da manhã, no lindo azul dos Céus,
de vésper no fulgor, da tarde na tristeza
minh’alma s’extasia e louva e adora — Deus!
Nas flores do vergel, no viço das campinas,
da fonte no cristal, das águas no frescor,
no val’, nos alcantis, nos plainos e colinas,
eu vejo, eu admiro o sábio Criador!
Nos ecos do trovão, do raio na vidência,
dos mares ao bramir no horror do vendaval,
minh’alma reconhece a Excelsa Onipotência,
e vê do Santo Amor o influxo paternal!
Lá geme o infeliz no transe d’agonia,
fitando o baço olhar no Cristo sofredor;
nos olhos em que a luz já frouxa s’extinguia
brilhou sublime a Fé de Deus no grande Amor!
No colo maternal sorri mimoso infante,
— borboleta gentil que sobre a flor descansa;
ali — se mostra Deus! formoso e radiante
da mãe no santo amor, no riso da criança.
Expande a magnólia ativo e grato aroma,
brilha a espiga gentil na linda florescência,
e numa e noutra flor que no vergel assoma,
oh! como se revela a sábia Providência!
Em tudo quanto há belo, em tudo o que é sublime,
neste orbe que recria a luz dos olhos meus,
minh’alma s’extasia, adora, e louva e exprime
num cântico de amor o grande Amor de Deus!
Oh, Deus que a tenra flor saúde ao desbrochar
e a ave bendiz nos cantos que desprende,
no val’ do pranto e dor não deixes vacilar
a fé que no meu peito o teu amor acende!