DEYXA RECOMENDADO A THOMAS PINTO AS DELIGENCIAS DE ABRANDAR A CATONA, E SE DESPE...

By Gregório de Matos Guerra

Adeus, meu Pernamerim,

que me vou sobre o Tainha

engasgado em crueldades,

espinhando em tiranias.

Adeus vizinhas do pasto,

que na varanda de cima

nos mataram a marrã,

e a comemos de rebimba.

Adeus rica cachoeira,

onde a Vermelha coabita

co peregrino, que passa,

co mercador, que a visita.

Adeus casa principal

aos olhos nunca escondida,

por ser sobre o monte posta,

como se canta na missa.

Adeus, Catona bizarra,

adeus gente da cozinha,

adeus putíssima Samba,

e honestíssima Luzia.

Adeus Grácia faladeira,

bem que com graça infinita,

adeus a outra Mãe Monda,

que se chama Clara Dias.

Adeus Moçorongo alegre,

e Fofó da estribaria,

adeus Barroso de baixo,

adeus Catuge de cima.

Adeus, ó fresca varanda,

onde joga a rapazia

castanhas com mil trapaças,

e trapaças com mil brigas.

Adeus Maria Pereira,

que sempre à mesa assistias

diligentemente alegre

co’a comida, e co’a bebida.

Adeus Brites gavachona,

que inda que sois concubina

do Gabriel, que vos sangra,

nunca vos deixa ferida.

Adeus terras agradáveis

cheias de canas tão ricas,

que estão dizendo, comei-me,

a quem passa, a quem caminha.

Adeus Inês amuada,

que por uma negra pinga

três dias me não falaste,

e me xingaste três dias.

Morto de vossas saudades

me vou por essas campinas

a risco de chegar morto,

se não fora no Tainha.