DIA FEIO
Sexta-Feira da Paixão, eu creio,
É menos feia e fúnebre, afinal,
Que este dia mais fúnebre e mais feio
Que um pau-d’água a morrer no carnaval.
Diz-me o Mário Valverde: — Não há meio
De fugir desta estupidez igual
A insipidez de que anda todo cheio
O atroz bestunto do Aurelino Leal.
Meia-noite: Até a pena se me encrava
No papel, sem poder chegar ao fim,
Presa de tédio e de canseira escrava.
Saio à porta. Olho a rua. Em torno a mim,
Corta o silêncio a voz do Vaca Brava:
— Morreu meu boi, “o que” será de mim?