DIA FEIO

By Emílio Nunes Correia de Meneses

Sexta-Feira da Paixão, eu creio,

É menos feia e fúnebre, afinal,

Que este dia mais fúnebre e mais feio

Que um pau-d’água a morrer no carnaval.

Diz-me o Mário Valverde: — Não há meio

De fugir desta estupidez igual

A insipidez de que anda todo cheio

O atroz bestunto do Aurelino Leal.

Meia-noite: Até a pena se me encrava

No papel, sem poder chegar ao fim,

Presa de tédio e de canseira escrava.

Saio à porta. Olho a rua. Em torno a mim,

Corta o silêncio a voz do Vaca Brava:

— Morreu meu boi, “o que” será de mim?