Diante do mar

By Juvêncio de Araújo Figueredo

O mar! E sempre o mar! Vejo-o todos os dias,

E me embalo nos seus feiticeiros encantos!

O mistério do mar! Que soluços e prantos

Às vezes ele encerra. E, às vezes, que alegrias!

Cinge-o o crepe augurai das densas invernias.

Mas, ei-lo agora, o mar, coberto de áureos mantos...

Certas vezes entoa alucinantes cantos;

Mas, às vezes, derrama as lágrimas mais frias!

E vai, de vaga em vaga, às praias e aos rochedos;

E conta-lhes do sonho os íntimos segredos;

E fala-lhes, talvez, dum sofrimento insano...

É lago e, ao mesmo tempo, é temeroso abismo;

É um recuo de medo e, ao mesmo tempo, heroísmo...

Ó coração do mar! Ó coração humano!