Dolorata

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Da dor tirei o seu bonito nome,

Da dor que há nove meses consumia

As entranhas do teu ventre, Maria,

E que inda agora mesmo te consome.

Ah! que por isso a nossa filha dorme

A quem na dor não vê um claro dia

De redenção. E, cheia de alegria,

Como um anjo do bem, aos céus assome.

Mas a nossa filhinha, de pequena

Que era, não pôde suportar a dor

Que lhe vazava o coração de pena.

E na verdade é tudo assim, querida:

Quem sofre, sofre, seja como for!

E o que é a dor senão a própria vida?