Dormindo

By João da Cruz e Sousa

Pálida, bela, escultural, clorótica

Sobre o divã suavíssimo deitada,

Ela lembrava — a pálpebra cerrada —

Uma ilusão esplendida de ótica.

A peregrina carnação das formas,

— o sensual e límpido contorno,

Tinham esse de avérnico e de morno,

Davam a Zola as mais corretas normas!...

Ela dormia como a Vênus casta

E a negra coma aveludada e basta

Lhe resvalava sobre o doce flanco...

Enquanto o luar — pela janela aberta —

— como um vago exclamação — incerto

Entrava a flux — cascateado — branco!!...