Egoísmo!

By Juvêncio de Araújo Figueredo

As asas negras, trágicas, abriste

Por sobre o mundo, de maneira tal,

Que todo o mundo se cobriu, tão triste,

Das sombras funestíssimas do mal.

E desde essa manhã que, odiando, viste,

Deixou, no mundo, de existir o sal;

E nem tão pouco da alegria existe

O claro e doce vinho original.

Tudo à sombra ficou das tuas asas:

O mar, o rio, o campo, e as próprias casas;

E, ainda, muito mais, o coração...

És, portanto, ó tristíssimo egoísmo,

O vampiro surgido do atro abismo

Da alma banida e tétrica de Adão.