ELEGE PARA VIVER O RETIRO DE HUMA CHACARA, QUE COMPROU NAS MARGENS DO DIQUE, E A...
Por bem-afortunado
Me tenho nestes dias,
Em que habito este monte a par do Dique,
Vizinho tão chegado
Às Taraíras frias,
A quem a gula quer, que eu me dedique.
Aqui vem o Alfenique
Das pretas carregadas
Com roupa, de que formam as barrelas:
Não serão as mais belas,
Mas hão de ser por força as mais lavadas;
E eu namorado desta, e aqueloutra
De um a lavar me rende o torcer doutra.
Os que amigos meus eram,
Vêm aqui visitar-me;
Amigos, digo, de uma e outra casta:
Oh nunca aqui vieram,
Porque vêm agastar-me,
E nunca deixam cousa, que se gasta.
Outro vem, quando basta,
Fazer nesta varanda
Chacotas, e risadas,
Cousas bem escusadas,
Porque o riso não corre na quitanda,
Corre de cunho a prata,
E amizade sem cunho é patarata.
A casa é espaçosa
Coberta, e retelhada
Com telha antiga de primeiro mundo,
Palha seca, e frondosa
Um tanto refolhada
Da que sendo erva Santa, é vício imundo;
O torrão é fecundo
Para a tal erva Santa:
Porque esta negra terra
Nas produções, que erra,
Cria venenos mais que boa planta:
Comigo a prova ordeno,
Que me criou para mortal veneno.