Elegia

By Delminda Silveira de Sousa

Chorem as meigas liras da tristeza

magoadas endechas de amargura,

gema em saudosa voz a Natureza,

O mar soluce nênias de tristura,

que a flor das águas lutuoso agita

o sopro funeral da desventura!

Ai! chora, chora a França! Mãe aflita

que o filho amado mísera pranteia

nos transportes cruéis que a dor excita!

Funérea c’roa um túmulo rodeia

e dentre roxos lírios, majestoso,

de Hugo o nome excelso ali campeia!

Também no Ocaso o astro radioso,

cercado de brilhantes esplendores,

e o mundo s’entristece pesaroso,

e chora a Natureza de amarguras,

o gênio, que dos gênios inspirado,

cantava em doce lira os seus louvores!

Ai! chore, chore a França o sublimado

ínclito herói, da pátria ingente glória!

e chore inteiro o mundo consternado!...

E as novas gerações, na voz da História,

ouçam o nome excelso, imperecível,

daquele que no templo da Memória,

cinge da Glória a c’roa imarcessível!