Em Belém

By Delminda Silveira de Sousa

Vai o zagal, e as mansas ovelhinhas

vão pelos verdes prados saltitando;

pelos rosais do campo vão ceifando

as brancas rosas, jovens pastorinhas.

O roxo fruto das viçosas vinhas,

o doce mel dos favos delicados,

o leite puro, os pomos sazonados,

leva o pastor em odres e cestinhas.

Chegam ao presépio: sobre o louro feno

odorífero e brando, o louro infante

dorme da inocência o sono ameno.

E a noite em meio vai; porém, brilhante,

como se o sol resplandecesse pleno,

circunda o val um brilho deslumbrante!