EM LOUVOR DE CAPORALINI, CANTOR DO TEATRO DE S. CARLOS

By Nicolau Tolentino de Almeida

No grão teatro vejo sempre enchentes:

As cãs anosas, os cabelos louros,

Ilustradas nações, bárbaros mouros,

Todos da tua voz ficam pendentes.

Que importa que não deixem descendentes

Teus ex-viris desabitados couros;

Que importa que tu roubes aos vindouros,

Se enriqueces, se encantas os presentes?

Não é traição ao sexo feminino;

É só razão quem te elogia e preza,

Cômico mestre, músico divino.

Ó nação de harmonia e de crueza!

O teu ferro nem sempre é assassino:

Não insultou, honrou a natureza.