EM LOUVOR DE CAPORALINI, CANTOR DO TEATRO DE S. CARLOS
No grão teatro vejo sempre enchentes:
As cãs anosas, os cabelos louros,
Ilustradas nações, bárbaros mouros,
Todos da tua voz ficam pendentes.
Que importa que não deixem descendentes
Teus ex-viris desabitados couros;
Que importa que tu roubes aos vindouros,
Se enriqueces, se encantas os presentes?
Não é traição ao sexo feminino;
É só razão quem te elogia e preza,
Cômico mestre, músico divino.
Ó nação de harmonia e de crueza!
O teu ferro nem sempre é assassino:
Não insultou, honrou a natureza.