Emparedado

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Por planícies e aspérrimas montanhas

Andei errando como um beduíno,

E contei ao luar o meu destino,

Velado por dragões de atras entranhas.

E a ti, ó sol, que de purezas banhas

Os campos verdes, num clarão divino,

Contei, também, chorando, o desatino

Das minhas ânsias trágicas, estranhas...

Mas não contei ao mar as minhas ânsias,

Ao largo mar perdido nas distâncias,

Para não vê-lo, dessa vez, cavado...

Pois esse mar é um coração doente,

Igual ao meu, e vive eternamente,

Eternamente triste e emparedado.