Enfermeira

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Só tu (e mais ninguém) sabes do que padeço;

Sabes de que se veste a minha vida inteira.

No meu leito de dor és a eterna enfermeira

E o manto que me cobre, o teu cabelo espesso.

Quando de febre intensa, escaldante, adoeço,

Vejo-te sempre e sempre à minha cabeceira.

E me dás leite e mel, fervidos em chaleira;

E sob as tuas mãos, docemente, adormeço...

Acordado que esteja, eu te vejo assentada

Ao lado do meu leito, ou te vejo ajoelhada,

A olhar Nossa Senhora, em seu nicho, num canto...

E, se melhoro, então, vamos os dois à praia,

Bem cedo, de manhã, ou quando o sol desmaia...

E toda a gente diz: — “Como se querem tanto.”