ENFERMOU E O POETA DA VISTA DE BARBORA, FEZ O SEU TESTAMENTO, E ACABOU OS DIAS: ...
Ontem para ressurgir
vos tornei, Babu, a ver,
e tornou-se-me a acender
o gosto de vos servir:
não vos quereis persuadir,
a que eu com todo o primor
mereça o vosso favor,
porque em casando-me absorto
cuida o Brasil, que sou morto
para negócios de amor.
O Brasil é um velhaco,
um falso, e um embusteiro,
porque ou casado, ou solteiro
quanto ensaco, desensaco:
e a vez que me desataco,
a pecúnia tanta, ou quanta
deu por pagar mercê tanta;
porque sei, que na Bahia
a coisa por qualquer via
val, conforme se levanta.
Se por casado não sigo
a dita de vos servir,
daqui venho a inferir,
que quereis casar comigo:
casemo-nos, que o perigo,
que eu corro, é ser açoutado
por duas vezes casado;
e quando nisto me encoutem,
que me dá a mim, que me açoutem
depois de vos ter logrado?
A Cota, que é toda treta,
vendo, que o algoz madraço
me vai limpando o espinhaço
com toalha de vaqueta,
rirá como uma doideta,
e dando um, e outro amém,
alegre dirá, inda bem,
que me deu Deus um cunhado
homem de bem no costado,
e nas costas de rebém.
Ora sus, minha Senhora
já me canso de esperar,
dai-vos pressa a me chamar,
e não seja ali a desoras:
que para quem se namora
de vários aventureiros,
se os quer trazer prazenteiros,
há de ter sempre chamados
ao meio-dia os casados,
e à meia-noite os solteiros.