Enterro solene

By Juvêncio de Araújo Figueredo

A tarde desce, a tarde alastra-se, cortada

De gaivotas voando, em contínuos rumores...

As copas dos ipês são ouro velho, em flores;

E a água do rio lembra uma harpa dedilhada...

Um féretro aparece e sobe a larga estrada

Sobre a qual, num repente, um turbilhão de cores,

Vindas do ocaso em luz, bordado de esplendores,

Beija, de uma criança a face macerada.

E outras, chorando, vão lhe pegando nas alças

Do caixão de paninho azul, todas descalças

E rotas, sem chapéu; mas num silêncio enorme,

Porque lhes vai, ao lado, o austero mestre-escola,

De cuja alma, no entanto, uma prece se evola

Por aquele que junto à fria morte dorme.