ENTRE OS SERVENTES, QUE NAQUELLA CASA ASSISTIRAM, SE NAMOROU O POETA DE CATONA C...

By Gregório de Matos Guerra

Pela alma dessa almofada,

que quando a cara vos vi,

Catona, me arrependi

de fazer esta jornada:

porque estais amancebada,

conforme ouço aqui dizer,

e que mais hei de eu fazer,

que querer idolatrar!

mas vós me haveis de mandar

por isso mesmo beber.

Tendes-me tão prisioneiro,

Catona, em tal embaraço

que por um vosso pedaço

me darei em todo inteiro:

neste vosso cativeiro,

que por docíssimo entendo,

de vosso Senhor pertendo,

(a quem obrigado vivo)

que me tome por cativo,

por vos estar sempre vendo.

A vossa cara me agrada,

o vosso rir me enfeitiça,

essa vossa anca me enguiça,

e uma só coisa me enfada:

e é, que estais tão arrimada

ao gosto do Fernandinho,

que apenas vos dá de olhinho,

quando já vos levantais,

e renda, e bilro deixais,

e o triste do meu bilrinho.

Se eu vos amo, e vos não minto,

e tudo por vós descarto,

deixai, quem já tendes farto,

por mim, que inda estou faminto:

num período sucinto

vos direi tudo de um lanço:

quero para meu descanso,

Catona, a vossa barriga;

quereis, que mais claro o diga?

façamos, Tona, um crianço.