ENTRE OS SERVENTES, QUE NAQUELLA CASA ASSISTIRAM, SE NAMOROU O POETA DE CATONA C...
Pela alma dessa almofada,
que quando a cara vos vi,
Catona, me arrependi
de fazer esta jornada:
porque estais amancebada,
conforme ouço aqui dizer,
e que mais hei de eu fazer,
que querer idolatrar!
mas vós me haveis de mandar
por isso mesmo beber.
Tendes-me tão prisioneiro,
Catona, em tal embaraço
que por um vosso pedaço
me darei em todo inteiro:
neste vosso cativeiro,
que por docíssimo entendo,
de vosso Senhor pertendo,
(a quem obrigado vivo)
que me tome por cativo,
por vos estar sempre vendo.
A vossa cara me agrada,
o vosso rir me enfeitiça,
essa vossa anca me enguiça,
e uma só coisa me enfada:
e é, que estais tão arrimada
ao gosto do Fernandinho,
que apenas vos dá de olhinho,
quando já vos levantais,
e renda, e bilro deixais,
e o triste do meu bilrinho.
Se eu vos amo, e vos não minto,
e tudo por vós descarto,
deixai, quem já tendes farto,
por mim, que inda estou faminto:
num período sucinto
vos direi tudo de um lanço:
quero para meu descanso,
Catona, a vossa barriga;
quereis, que mais claro o diga?
façamos, Tona, um crianço.