ENTREGANDO O PONTO À DEUSA DA FORTUNA
Ímpia deusa, um taful desesperado,
Profanando estes hórridos lugares,
O ponto queima sobre os teus altares.
Dom funesto, que tu lhe tinhas dado:
Recebe em vil triunfo este ás rasgado,
Que aqui penduro ao rouco som dos ares;
E vem, por ser mais digno de o aceitares,
Em lágrimas de sangue inda banhado:
Já pus nas tuas mãos grossos tostões;
Mas se em paga me dás cansados dias,
Mais não quero provar-te as sem-razões;
Que aos que apontam, por fim, tu sempre envias,
Ou com faca na mão para os Pegões,
Ou com tigela para as portarias.