ENTREGANDO O PONTO À DEUSA DA FORTUNA

By Nicolau Tolentino de Almeida

Ímpia deusa, um taful desesperado,

Profanando estes hórridos lugares,

O ponto queima sobre os teus altares.

Dom funesto, que tu lhe tinhas dado:

Recebe em vil triunfo este ás rasgado,

Que aqui penduro ao rouco som dos ares;

E vem, por ser mais digno de o aceitares,

Em lágrimas de sangue inda banhado:

Já pus nas tuas mãos grossos tostões;

Mas se em paga me dás cansados dias,

Mais não quero provar-te as sem-razões;

Que aos que apontam, por fim, tu sempre envias,

Ou com faca na mão para os Pegões,

Ou com tigela para as portarias.