EPÍSTOLA VII

By Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage

Tu não podes saber, querida Alzira,

Com que alegria as cubiçadas letras

Da tua Olinda foram recebidas!

Não o podes saber, nem eu dizer-to.

Que pura locução, que Amor ensina!

Quão dif’rente linguagem da que falam

Os livros, que me dá o meu Belino!

N’eles descubro o sensual estilo

Que a modéstia revolta, e que não quadra

Ás puras sensações, que Amor excita.

Frase brutal, sem arte, e sem melindre,

Qual despejada plebe usar costuma;

N’eles de Amor os gostos enxovalha

Misterioso véu, que arrancar ousam

Com mão profana d’ante o santuário

Que Amor encerra, e d’onde o deus oculto

Manda aos mortais um cento de venturas.

D’eles o númen foge, e por castigo

Leva após si deleites, que não provam:

Em vez de graças mil, de mil prazeres

Priapeio tropel ímpios incensam.

Dá-me tedio a lição de escritos torpes,

Onde o prazer fugaz, lassos os membros,

Sob mil formas em vão se perpetua.

Lassos os membros, lassos os sentidos,

Debalde esgotam, sôfregos de gostos,

De impudicícia inumeráveis gestos.

Morre a chama, que amor mutuo não sopra;

Como é vil a expressão, e é vil o gozo

Que uma Thereza, que outras tais francesas

Em impuros bordeis gabar se ufanam!

Foi-me preciso, Alzira, usar do império

Que a um fraco sexo deleitosos modos

Fagueiros, ternos emprestar costumam,

Para do amante meu obter a custo

De obscenas produções o sacrifício,

Que o coração corrompem, e devassam

Puros desejos, sentimentos doces.

Mostrei-lhe que o prazer esmorecia

De amável ilusão sem os prelúdios;

E que, apesar dos seus vivos protestos,

Se os sentidos assaz lisonjeava,

Mil emoções gostosas embotando,

Impelido a gozar continuamente,

Escravo do prazer na sua amante

Não fartaria hidrópicos desejos:

Ardentes Messalinas buscaria,

Entre os braços das quais mais fácil era

Á vida termo pôr, que saciar-se.

Cedeu às minhas súplicas, e agora

Grato me diz — que se ele da ventura

O caminho me abriu, eu n’ele o guio:

Assim, quando os sentidos fatigados

De amor se negam a esgotar delícias,

Mana do coração inexaurível

Prolifica virtude, que os alenta.

Assim de gostos perenais correntes

Franqueia Amor, a quem o não profana:

De Amor os gozos são como o diamante,

Que, sem o engaste que tocar-lhe veda,

Perdera a polidez, perdera o brilho.

Ame o lascivo o mau, o torpe o obsceno:

Eu em tuas expressões aprendo, Alzira,

Como a ternura impera nos sentidos:

E d’um, e d’outro regulando as forças,

De amorosos troféus requinta a glória.

O sensual atola-se nos vícios,

Cujo infesto vapor todo o corria

De lançar-lhe no tumulo o esqueleto;

D’outra arte aquele, que libar suaviza

Néctar, que Amor esparge aos seus validos,

Das rugas, e das cãs não teme o estrago;

Que nos últimos anos pode ainda

Em seu transporte Amor beijar na face.

Mas que exiges de mim? Pensas, Alzira,

Que a rude Olinda como tu descreva

A emanação dos gostos, que se provam

Quando o primeiro amor os desenvolve

Da terna virgem no inocente peito?

Reclamas a candura, de que usava

Antes de me ilustrar de Amor o facho?

Ousas mesmo increpar-me de artifício,

Porque eu não sube delicada teia

Urdir aos olhos teus, porque eu não sube

As efusões de amor envolver n’ela,

E, qual me envias, dar-te digna oferta?

Basta, tu mandas; vou obedecer-te.

Tenho ante os olhos instruções sobejas

Para pintar o quadro dos deleites

Que de dous entes n’um absortos brotam.

Tu me dás os pinceis, o molde, as cores;

E no meu coração, prezada amiga,

Fecunda o gozo meigos sentimentos,

Que só acabarão, se amor acaba!...

Que quiméricos céus forma a impostura!...

Aonde mores delitas se prometem

Que as de um amante, d’outro ao lado unido?

Eu sonhava ilusões, antes que fosse

Nos mistérios de amor iniciada.

Errava de um em outro labirinto,

D’onde os conselhos teus, amada Alzira,

E Amor, dando-me o fio de Ariadna

Me fizeram sair: deixam-me forças

Para abafar o monstro, que meus dias

Tinha de funestar com vãos temores,

Filhos do erro vil, da fraude abortos.

Qual vagueia nas trevas sem acordo

Perdido o tino, aflito o caminhante,

D’alta terra entre as faldas pedregosas,

Ou de ínvia selva na espessura vasta;

Aqui tropeça, ali se encontra, e bate,

Macera as mãos, o rosto, e tenteando

Um pé lhe escapa, cai, rola-se o triste,

E n’um báratro crê despedaçar-se;

Eis improvisa luz assoma ao longe;

Atenta o infeliz, toma-a por norte,

E dos p’rigos, que o cercam, se vê salvo:

Tais tuas letras para mim brilharam

Na escuridão fatal, que me envolvia.

Não espaçou Amor ditoso prazo

Para no grêmio seu a tua Olinda

Benfazejo acolher. Vira eu Belino

Passar uma, e mil vezes, atentando

Com interesse em mim, atentei n’ele,

Em seu terno olhar, e meigos gestos;

Vi que um amante o céu me destinava:

Em breve os olhos meus lhe responderam

Ás mudas expressões, que os seus diziam:

Em breve as suas cartas, de amor cheias,

Fizeram dar igual calor ás minhas,

Acendendo os meus férvidos transportes.

N’uma cerrada noute, quando ao sono

Estava tudo entregue, Amor velando

No meu peito, e no seu, a vez primeira

Nos ajuntou em fim: ele exultava

De indizível prazer: eu me sentia

Na agitação maior de gosto, e susto.

Ao dar-lhe a mão, para o guiar de manso

Té ao aposento meu, súbito fogo

Calou-me as veias, penetrou-me toda.

Mas quando, já fechados um com outro,

Vi que seus gestos, mais que suas vozes,

Sua ternura ousada me exprimiam,

Lembrou-me o p’rigo, a que me havia exposto.

Tarda lembrança, que cedia a embates

De ignoto medo, que o rubor gerava!

Queria eu impedir-lhe ardentes beijos,

Mas vedavam-no as chamas, que acendiam;

E ás primeiras caricias insensível,

Lutando entre o pudor, e entre o desejo,

Em mil contrarias reflexões absorta,

Meu silencio e inação a empresas novas

De maior valor, Belino excitaram:

Confesso, que deveras quis opor-me

A seus intentos no primeiro instante:

Porém pouco tardou que abraseada

Em chamas voluptuosas, resistindo

A seus esforços, mais lhe franqueava

Fácil acesso a próximos triunfos.

Sentado junto a mim, lançando um braço

Em redor do meu colo, até cingir-me.

E obrigar-me a chegar ao seu meu rosto;

Com a mão sobre os peitos inquieta,

Que ao crebro palpitar os apressava;

E os lábios discorrendo os olhos, faces,

Té fixá-los nos meus, ou por entre eles

Confundindo os alentos, lançar chamas

Dentro em meu coração, qual facho aceso;

A ardente língua sua unindo à minha,

Ou, sobre o seio meu calando a boca,

N’ele impressos deixar seus próprios beiços.

Com mão mais temerária, do vestido

Pela abertura a ocultos atrativos

Indo o fogo atear... Ah! que eu não pude

Mais resistência opor a seus desejos!

Apenas leve fisga separando

Um dedo seu, que um raio parecia,

Tocou o sitio onde os deleites moram,

Súbito, alvorotados uns com outros

Travando estranha luta, me levaram

Onde, fora de mim, quase sem vida,

Só quanto então gozei, gozar podia.

Dos membros todos foram engolfar-se

As sensações ali; e só tornaram

A ser o que eram, quando ao mesmo tempo

Sua potência intrínseca exalando;

Fiquei de todo lânguida, e abatida:

O perverso Belino atentos olhos

Nos meus então fitando, quis ler n’eles

De que ficções minha alma se ocupava.

Foi extremo o rubor, que de improviso

Minhas faces tingiu: lancei-lhe os braços,

Escondendo meu rosto no seu peito,

Por não poder suster-lhe as doces vistas.

A minha terna ação atraiçoou-me:

Que o maligno, pegando-me do rosto

Com ambas suas mãos, mais me encarava;

De confusa me ver folga, e se ufana,

Com beijos mil parece devorar-me;

Entre os seus braços mais e mais me aperta,

E pouco a pouco sobre mim se inclina:

Minha cabeça no sofá encosta,

Meus pendentes pés trava, e os submete

Entre os seus mesmos té que, enfim, de todo

Senti do corpo seu o peso grato.

Meu leito era defronte: mas Belino

No largo canapé circ’lo bastante

Hábil atleta achou para o combate.

Perplexa, em mil afetos engolfada,

Irada, enternecida, em cruel luta,

Meus sentimentos todos labutavam:

Um tímido pudor ativos fogos

Contrariava em vão, em vão retinha

Ignotos medos, sôfregos desejos:

Suspensa, e curiosa eu esperava

Gostosa cena, em que prolixas noutes

Pensando o que seria, despendera.

Em quanto d’esta sorte embelezado

Me tinham tais ideias, já Belino

No frenesi maior de grau, ou força,

Os meus secretos votos preenchia.

Em torno da cintura levantados

Meus trajos inferiores, sobre os joelhos

Sentindo os de Belino desprendidos,

Alargando-me os pés, tomando entre eles

Vantajosa atitude a seus projetos,

Franqueando co’a mão fácil entrada

Á chamejante lança, que tocava

O mesmo sitio, que invadira o dedo:

Forcejou para ferir-me com seus golpes,

Com ímpeto tamanho, com tal raiva

Que nem dos gritos meus se comovia,

Nem podia o meu pranto apiedá-lo;

C’o forte impulso as movediças carnes

Levava-me ás entranhas; da ferida

Corria o sangue, mas sem que pudesse

Ao ferro assolador achar bainha.

Seus dedos sanguinários finalmente

D’uma, e outra parte com vigor sustendo

Flexíveis membros, redobrando as forças

Da valente impulsão, a cruel lança

Rompeu cruento ingresso... traspassou-me.

Que dor, Alzira!... Dei tão alto grito

Que Belino depois disse o assustara,

Bem fosse de meus pais distante o quarto.

Sem sentidos fiquei, em quanto o amante

Os troféus da vitória recolhia;

E só tornei a mim, quando ao meu sangue

Suave irrigação veio mesclar-se,

A agitações de gosto a dor cedendo,

De gosto inexaurível, que provara.

N’um momento apertada com Bel ino,

N’ativa sensação toquei com ele

A meta das delicias, transportada

De muito mais prazer do que a dor fora.

N’este instante convulsa, e delirante,

E como se um espasmo suportasse,

Intirissada toda, os meus alentos

Senti reconcentrar-se n’um só ponto.

Findava o meu amante, inda eu gozava

(Comprimindo-o comigo) altas venturas,

De que sedenta então não poderia

Fartar-me assaz: meus braços exauridos,

Meu col o, e pés, eu toda fatigada

Do veemente tremor, em que lidara.

Caí prostrada, quase semimorta.

Quando a meus olhos (que caligens densas

Tinham coberto) a luz tornou de novo,

Volvi-os sobre o amante, de tal sorte

Que ao vê-lo já súplice o instigava:

Não ficava ocioso n’este tempo,

Que no exame gastou do entrado forte,

Pasmado dos estragos, que fizera,

E dos despojos, que lucrava alegre.

Da máquina, que a praça expugnou firme,

A estrutura e altivez eu divisando,

Custava-me a atinar como pudera

Plantar-se o obelisco no reduto estreito.

Belino minhas vistas compreendendo,

Fez-me sentir, forçando-me a tocá-lo,

Marmórea rigidez, cor escarlate,

Forma, e calor de obus, que disparava.

Quando submisso, da peleja lasso,

O vi depois sem o estendido conto,

Brancas roupas trajava, mais humilde:

Mas agora, afrontado, arremessando

Monarca ufano, a purpura do colo,

Com furor ao combate se aprestava.

Reverberou seu fogo em minhas faces,

E a veia e veia d’elas espalhado

De todo o corpo me filtrou os membros.

Da lascívia ao pudor jungindo o peso,

Fez-me Belino levantar, e tendo

Ele sentado unidos os joelhos,

Sobre eles me sentou, e franco acesso

Da lança abrindo à ponta, a foi de manso

No riste pondo, té que a meio conto

N’ele embebida, sobre si de todo

Levando o peso meu, entrou de modo

Que fiquei té às vísceras varada.

A introdução tão forte pouco afeitos

Meus delicados membros se avexaram:

Mas curvando-me um pouco, e com justeza,

Achei convir ao estojo o instrumento;

Cuja palpitação, sem ajustar-nos,

Em cadencia reciproca aliada,

Bastava a provocar gosto indizível,

De modo que sem mais fadiga eu pude,

Na grata posição Belino imóvel,

Atingir o prazer mais saboroso,

Nadar em mil deleites engolfada:

Aqui, amada Alzira, essa virtude

Que apelidam pudor, foi-me odiosa.

De seus grilhões liberta, possuída

De um venéreo furor, impaciente

De comprimir a mim o caro amante,

Arranquei-me da lubrica atitude,

Sobre ele me arrojei, toda ansiosa

De me identificar c’o meu Belino;

Estreitada com ele, abandonada

De amor à raiva, que ambos incendia,

Sobre mim o arrastei junto do leito,

Onde ao meu peito o seu, aos seus meus lábios,

Do corpo os membros todos enlaçados

Misturando nos ósculos o alento,

Nos ósculos libando doce néctar,

Em tal agitação, que aos céus alçar-me,

E abater-me aos abismos parecia;

Ávida de absorver a grossa lança,

De sofrer-lhe a rijeza diamantina,

E de arrostar-lhe os golpes incessantes,

Sentindo o instante em que violento impulso

De celeste efusão marcava o termo,

Nas mãos, e nos pés sós firmando o corpo,

Tanto me empertiguei, que o meu amante

Sustive sobre mim, suspenso, em quanto

Aos finais paroxismos sucumbindo

Ao meu uniu seu último gemido,

E dentro das entranhas abrasadas

Lançando-me torrentes d’almo influxo,

Submersa me deixou n’um mar de gozos.

Julgas, Alzira, que entre tanto gosto

Na assídua compressão me não doíam

As maceradas meliadrosas carnes?

Ah! que esta dor pelo prazer vencida

Irritava emoções deliciosas,

Sobre-elevava às sensações mais gratas.

Qual sequioso cervo, repassado

Da calmosa avidez, suaves gotas

Rábido anela, e quanto é mais sofrida

Ardente sede, tanto mais ensopa

Uma, e outra vez insaciáveis fauces:

Não d’outra sorte flagelados membros

Da dor pungidos de cruéis combates,

Balsâmica emoção consoladora

Com avidez secavam insofridos:

A eluvião prolifica eu sentia,

Pruridos divinais, e estremecendo

À melíflua impressão, perenais gozos

Bastante tempo após gozava ainda.

N’este instante expirou dentro em minh’alma

Temor nefando, que imolava ao culto.

Nova moral raiou de Olinda aos olhos;

Eu tive em pouco ríspidos preceitos,

Ameaças cruéis, com que ralavam

Meus anos infantis. Doeu-me, Alzira,

De ver tanta beleza definhada

Da Hipocrisia vítimas infaustas;

Aponta a idade, em que é d’amor forçoso

As delicias gozar; em que almo viço

Como nas plantas, n’elas assinalam:

Grata reprodução consigo abafam,

Envenena-se o gérmen da natura,

Infecção purulenta as vai minando,

Que seus dias termina, ou os condena

A lânguida existência: abate o corpo,

Abate o esp’rito corroído o alento.

Inovámos a ação, eu, e Belino,

E iguais em forças, sem perder coragem,

Nenhum de nós cedeu, bem que durasse

Algumas horas o combate aceso:

Mas da noute feliz o longo manto

Que os mistérios de amor comete ás trevas,

Com róseos dedos a invejosa Aurora

Cruel abrindo, faz dentro em meu peito

A escuridão entrar, que em torno tinha.

Foi-me odiosa a luz, que afugentava

De mim com o amor perenes delicias.

Uma e outra vez Amor tem facultado

Ao constante Belino, á terna Olinda

Outros, como estes, prósperos momentos:

São de tormento para mim os dias

Que tê-lo junto a mim debalde busco:

Para ele o tempo que sem ver-me gasta,

Figura-lhe de um século a distância.

Já Himeneu houvera de enlaçar-nos,

Se o mundo, Alzira, o mundo, que não cuida

Senão em maquinar sua ruína,

De longo tempo não tivesse urdido

Iniquas tramas, hórridas ciladas,

Que ao homem (digno prêmio de sua obra)

Barreiras põe na estrada da ventura.

Retrocede o infeliz d’um a outro lado,

Negras voragens abre ante os seus passos

Tropel de Fúrias, que consigo arrasta,

Filhas do Erro, que animou insano.

A Fortuna que foi comigo larga,

Negou seus dons a meu querido amante.

Ele não conta nobres ascendentes,

De quem meus pais se dizem oriundos:

É quanto basta, para erguer muralhas

De alcance, entre ele e mim, inacessíveis:

O ditoso himeneu não me é preciso,

O himeneu, aparato de teus votos,

Para entre os braços seus tecer afouta

Indissolúveis nós c’o meu Belino:

Sou d’ele, é meu: os homens que se ralem.

Alzira, tu, que a amor meu peito abriste,

Abre meus olhos à Natura inteira:

Eu quero n’ela ver os meus destinos;

Só n’ela eu quero divinais verdades

Solicita explorar, viver só n’ela:

Cumpre as gratas promessas, que me fazes,

Deva a ti só a tua Olinda tudo.

Não há para os cristãos um Deus dif’rente

Do que os gentios têm, e os muçulmanos?

O que a razão desnega, não existe:

Se existe um Deus, a Natureza o oferece;

Tudo o que é contra ela, é ofendê-lo.

Devo eu seguir o culto, que me apontam

As impressões da própria Natureza?

Tenho uma religião em praticá-las?

Que mundo é este pois, prezada Alzira?

Têm os homens levado o seu arrojo

Té forjarem um Deus na ousada mente,

Traçar-lhe cultos, levantar-lhe templos,

Atribuir-lhe leis, que a ferro, e fogo

Estranhos povos a adorar constrangem,

Imolando milhões à glória sua?

Nos lábios tem doçura, e probidade,

No coração o fel, a raiva: os monstros

São maus por condição, ou maus por erro?

Não, eu não posso, Alzira, d’este enigma

Romper o denso véu: minhas ideias

Jazem n’um caos de hórrida incerteza:

Hesitar me não deixes por mais tempo:

Minha instrução confio aos teus cuidados;

D’amizade o esplendor dá-te a mim toda;

Acaba de fazer-me de ti digna.