Escárnio perfumado

By João da Cruz e Sousa

Quando no enleio

De receber umas notícias tuas,

Vou-me ao correio,

Que é lá no fim da mais cruel das ruas,

Vendo tão fartas,

D’uma fartura que ninguém colige,

As mãos dos outros, de jornais e cartas

E as minhas, nuas — isso dói, me aflige...

E em tom de mofa,

Julgo que tudo me escarnece, apoda,

Ri, me apostrofa,

Pois fico só e cabisbaixo, inerme,

A noite andar-me na cabeça, em roda,

Mais humilhado que um mendigo, um verme...