Escravocratas

By João da Cruz e Sousa

Oh! Trânsfugas do bem que sob o manto régio

Manhosos, agachados — bem como um crocodilo,

Viveis sensualmente à luz dum privilégio

Na pose bestial dum cágado tranquilo.

Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas

Ardentes do olhar — formando uma vergasta

Dos raios mil do sol, das iras dos poetas,

E vibro-vos a espinha — enquanto o grande basta

O basta gigantesco, imenso, extraordinário —

Da branca consciência — o rútilo sacrário

No tímpano do ouvido — audaz me não soar.

Eu quero em rude verso altivo adamastórico,

Vermelho, colossal, d’estrépito, gongórico,

Castrar-vos como um touro — ouvindo-vos urrar!