Esperei Tanto Por Isto

By Lyubochka Lungu

Written 2025-12-25

Esperei tanto por isto,

por um dia em que a memória não doa,

em que a dor não mande mais.

Vivi em tantos lugares,

sempre fugindo, sempre aprendendo.

Falo ucraniano, romeno e português —

três línguas, três feridas,

uma só força que não se quebra.

Houve bullying,

socos, hematomas, medo.

Russo-ciganos do meu próprio bairro,

rindo da minha dor,

me deixando sangrar.

Quando estava no hospital,

ligada a tubos e solidão,

ninguém veio.

Ninguém.

Apenas minha mãe,

que trouxe remédios, comida, força,

e me tirou dali com as próprias mãos.

Portugal, dois anos.

Escola, língua leve, esperança silenciosa.

Moldávia, novo começo,

padrasto cruel, sabendo tudo,

ferindo cada dia,

cada momento de normalidade.

Mas meus sonhos nasceram.

Ver meu pai,

ver minha mãe ao lado dele,

ter meu corpo marcado

com piercing e tatuagem —

minha vida, minhas regras.

Quero trocar meu smartphone,

ter tablet gráfico,

console, power bank, mala de mão,

guardar cada centavo até julho,

e finalmente partir com meu pai,

não sei para onde,

mas sei que será minha liberdade.

Esperei tanto por isto.

E agora,

sou forte,

sou livre,

sou minha.

Este é meu último poema.

Hora de estudar inglês,

porque no verão não estarei mais na Ucrânia.