Espiritualismo

By João da Cruz e Sousa

Ontem, à tarde, alguns trabalhadores,

Habitantes de além, de sobre a serra,

Cavavam, revolviam toda a terra,

Do sol entre os metálicos fulgores.

Cada um deles ali tinha os ardores

De febre de lutar, a luz que encerra

Toda a nobreza do trabalho e — que erra

Só na cabeça dos conspiradores,

Desses obscuros revolucionários

Do bem fecundo e cultural das leivas

Que são da Vida os maternais sacrários.

E pareceu-me que do chão estuante

Vi porejar um bálsamo de seivas

Geradoras de um mundo mais pensante.