Estrela-d’alva
Se a Estrela-d’alva, de clarões de prata,
Lírio que vai o espaço perfumando;
E no mar, e nos rios se retrata,
Por tudo um pólen de ouro derramando.
Se a Estrela-d’alva, da branália-elata
Do céu, abrisse o lindo seio brando,
E viesse escutar toda a sonata
De um coração que vive soluçando...
Se aquela Estrela me escutar quisesse,
Talvez dos longes em que se vê viesse,
Viesse escutar, no tempo que hoje corre,
Quem tanto nela fala ansiosamente,
Como, na hora da morte, um justo, um crente
Fala na Virgem do Socorro, e morre.