Estrela-d’alva

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Se a Estrela-d’alva, de clarões de prata,

Lírio que vai o espaço perfumando;

E no mar, e nos rios se retrata,

Por tudo um pólen de ouro derramando.

Se a Estrela-d’alva, da branália-elata

Do céu, abrisse o lindo seio brando,

E viesse escutar toda a sonata

De um coração que vive soluçando...

Se aquela Estrela me escutar quisesse,

Talvez dos longes em que se vê viesse,

Viesse escutar, no tempo que hoje corre,

Quem tanto nela fala ansiosamente,

Como, na hora da morte, um justo, um crente

Fala na Virgem do Socorro, e morre.