Eterna tristeza

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Para quem traz o olhar profundamente aflito,

Nas violetas da dor, de uns olhos que parecem

Em cada pranto ter a atra expressão de um grito;

E em cada grito ter ânsias que à cova descem...

Para quem traz o olhar nesse anseio infinito,

E o sente à viva flor dos olhos que se aquecem

Nos incêndios fatais de um tormento maldito,

Cavado num mistério onde os sonhos fenecem.

Para quem traz o olhar nesse atroz desatino,

Não há prazer na terra, embora o mais divino

Em resumos de amor tranquilo como os lagos.

Para o olhar que assim vaga, anda por toda a terra,

A própria luz do sol, espiritualizada, encerra

Os desígnios fatais dos dias aziagos.