Eterno conforto

By Juvêncio de Araújo Figueredo

O estranho ser que às vezes me aparece,

E concita-me à porta, solitário,

De olhar medonho, em fogo temerário,

Ah! esse estranho ser das trevas desce.

Temendo, então, recorro à paz, na prece;

A esse eterno conforto extraordinário,

E, como um novo Cristo, no Calvário,

Peço ao meu Pai, que está nos céus, a messe

Do amor bendito, desse trigo louro,

Que nas granjas azuis os moinhos de ouro

Do sol trituram, para o real conforto

Dos corações assim atormentados,

Dos corações que passam, fatigados,

Pelas ondas sinistras do mar-morto!