Eterno sonho

By João da Cruz e Sousa

Talvez alguém estes meus versos lendo

Não entenda que amor neles palpita,

Nem que saudade trágica, infinita

Por dentro dele sempre está vivendo.

Talvez que ela não fique percebendo

A paixão que me enleva e que me agita,

Como de uma alma dolorosa, aflita

Que um sentimento vai desfalecendo.

E talvez que ela ao ler-me, com piedade,

Diga, a sorrir, num pouco de amizade,

Boa, gentil e carinhosa e franca:

— Ah! bem conheço o teu afeto triste...

E se em minha alma o mesmo não existe,

É que tens essa cor e é que eu sou branca!