Êxtase de mármore

By João da Cruz e Sousa

O mármore profundo e cinzelado

De uma estátua viril, deliciosa;

Essa pedra que geme, anseia e goza

Num misticismo altíssimo e calado;

Essa pedra imortal — campo rasgado

A comoção mais íntima e nervosa

Da alma do artista, de um frescor-de-rosa,

Feita do azul de um céu muito azulado;

Se te visse o clarão que pelos ombros

Teus, rola, cai, nos múltiplos assombros

Da Arte sonora, plena de harmonia;

O mármore feliz que é muito artista

Também — como tu és — à tua vista

De humildade e ciúme, coraria!