F. O.

By Emílio Nunes Correia de Meneses

Tem a doença do som e a fatuidade

De pensar que todo ele, fibra a fibra,

É o sonoro instrumento em que só se há de

Vibrar o canto em que o universo vibra.

No seu queixo que pesa mais de libra,

E dos pêlos na escura densidade,

Pensa que o contraponto se equilibra

À harmonia da capilaridade.

Quando, às vezes, a crítica o abarba

Ele, acudindo ao exigente apelo,

Do ardor de um gênio musical se engarba.

De um filho de Isaú, a cara é o selo,

Pois nem o Padre Eterno tem mais barba,

Nem as onze mil virgens mais cabelo.