FÁBULA, O CÃO LÓGICO
Com seus petrechos de caça
viajava um cavaleiro,
e na estrada aconteceu-lhe
atrasar-se o perdigueiro.
Correndo aflito, arquejante,
o bruto de exímio faro,
na encruzilhada fez ato,
que a raciocínio equiparo.
Havia aí três caminhos,
o cão cheirou o primeiro,
depois cheirou o segundo,
e não cheirou o terceiro.
Sem hesitar foi por este,
porque a lógica lhe ensina
um argumento infalível,
que exclusão se denomina.
Com efeito, mais adiante
já não se acha em abandono;
latindo, e abanando a cauda,
está junto de seu dono.
A Darwin, que estuda origens,
vou pedir algum socorro;
se ele tem lógica, prove
que descende do cachorro.