FAZENDO ANOS, FORA DA CORTE, A MARQUÊSA DE LAVRADO
Se de alheios lacaios emplumados
Tropel brilhante não abafa a estrada,
Nem vedes essa mão sacrificada
A falsos beijos, por costume dados:
Vedes em câmbio corações honrados,
E sobre o nosso rosto a alma pintada;
Vedes, senhora, a ilustre mão beijada
Do esposo, e filhos, e fieis criados.
Este ouro, que aqui brilha, não tem fezes;
Pega inocência aos corações humanos
O campo aberto, os ares montanheses;
Aqui não doura a vil lisonja enganos:
Vinde, senhora, aqui passar cem vezes
O faustíssimo dia destes anos.