FAZENDO ANOS, FORA DA CORTE, A MARQUÊSA DE LAVRADO

By Nicolau Tolentino de Almeida

Se de alheios lacaios emplumados

Tropel brilhante não abafa a estrada,

Nem vedes essa mão sacrificada

A falsos beijos, por costume dados:

Vedes em câmbio corações honrados,

E sobre o nosso rosto a alma pintada;

Vedes, senhora, a ilustre mão beijada

Do esposo, e filhos, e fieis criados.

Este ouro, que aqui brilha, não tem fezes;

Pega inocência aos corações humanos

O campo aberto, os ares montanheses;

Aqui não doura a vil lisonja enganos:

Vinde, senhora, aqui passar cem vezes

O faustíssimo dia destes anos.