Fé, esperança, caridade

By Delminda Silveira de Sousa

Meigo Jesus, quando no Horto oravas,

quando o cálix das mágoas esgotavas

perante o Céu, qu’a tua angústia vê,

no padecer daquelas agonias,

à humanidade ingrata tu dizias,

tu lhe dizias: — Crê!

E quando por algozes arrastado,

dos espinhos agudos coroado,

ias, seguindo a turba ignóbil, fera,

os teus olhos magoados levantando

àquele Céu, que assim te vê passando,

Tu dizias: — Espera!

Depois, na Cruz, entre facinorosos,

Baixando os meigos olhos piedosos,

Alma abrasada por celeste chama,

Pedindo aos Céus perdão à humanidade,

Ensinavas a doce Caridade:

Tu lhe dizias: — Ama!