FINADOS

By Delminda Silveira de Sousa

Dobram os sinos... Quanta tristeza

Quanta saudade vinda do Além!...

Até parece que a Natureza

De pura mágoa chora também!

Caem dos ares, lá derramadas,

Lágrimas tristes por sobre a terra;

Pérolas d’alma cristalizadas

Enchem o campo, cobrem a terra.

Quem sabe? — almas, que Além partiram,

Neste momento lá chorarão?...

Outras que em vida dores curtiram,

A paz eterna já fruirão?...

Cobrem-se os campos de tantas flores...

Lágrimas correm por tantos lares

Abrem saudades que avivam amores...

Morrem sorrisos, nascem pesares...

E as almas idas pedem aos vivos

Por sobre as campas deixem cair

Dos rosários os lenitivos

Que — Ave-Maria lhes faz sentir!

Aos Céus piedosos todos mandemos

Preces ungidas de fé bendita;

Murcham as flores... mas nós teremos

Nas flores d’alma vida infinita!

Dobram os sinos... Quanta tristeza!

Quantas saudades, vindas do Além!...

Até parece que a Natureza

De pura mágoa chora também!