FLORES

By Delminda Silveira de Sousa

Por muito grato dever

a vossa saudação,

venho hoje responder

vosso mimoso cartão.

Do novo ano ao raiar

meu nome não olvidastes,

e me viestes saudar

nas frases que m’enviastes.

Senhora: — frases tão puras

foram quais flores risonhas

a derramarem doçuras

em minhas horas tristonhas!

Foram quais notas maviosas

de um canto na solidão:

foram perfumes de rosas

vertidos com profusão!

Oh! — foram acordes suaves

da mais leal simpatia

como o gorjeio das aves

ao raiar sereno dia!

Portanto, aceitai em flores

a minha retribuição:

não há mais gratos penhores

que os lírios do coração

Que vos dê o céu venturas

tantas quantas rosas há,

d’afetos santos — doçuras,

e as palmas que a Glória dá.

E que deste Sec’lo ao fim,

ainda vejais florido

como risonho jardim,

o vosso lar mui querido.