Floripes

By João da Cruz e Sousa

Fazes lembrar as mouras dos castelos,

As errantes visões abandonadas

Que pelo alto das torres encantadas

Suspiravam de trêmulos anelos.

Traços ligeiros, tímidos, singelos

Acordam-te nas formas delicadas

Saudades mortas de regiões sagradas,

Carinhos, beijos, lágrimas, desvelos.

Um requinte de graça e fantasia

Dá-te segredos de melancolia,

Da Lua todo o lânguido abandono...

Desejos vagos, olvidadas queixas

Vão morrer no calor dessas madeixas,

Nas virgens florescências do teu sono.