FOI EM MANHÃ DE ESTIO

By Laurindo José da Silva Rabelo

Foi em manhã de estio

De um prado entre os verdores,

Que eu vi os meus amores

Sozinha a cogitar.

Cheguei-me a ela,

Tremeu de pejo...

Furtei-lhe um beijo,

Pôs-se a chorar.

Eram-lhe aquelas lágrimas

Na face nacarada

Per’las da madrugada

Nas rosas da manhã.

Santificada

Naquele instante,

Não era amante,

Era uma irmã.

Dobrados os joelhos

Os braços lhe estendia,

Nos olhos me luzia

Meu inocente amor.

Domina a virgem

Doce quebranto,

Seca-se o pranto,

Cresce o rubor.

Nestes teus lábios

De rubra cor,

Quando tu ris-te

Sorri-se amor.

Dos lindos olhos,

Tens o fulgor,

Se p’ra mim olhas

Raios de amor.

De teus cabelos

De negra cor,

Forjam cadeias

Brincando amor.

Neles p’ra sempre,

Servo ou senhor,

Viver quisera

Preso de amor.

Rosas que tingem

Fresco rubor

Nas tuas faces

Espalha amor.

Se de minh’alma

Com todo o ardor,

Chego a beijá-las

Morro de amor.

Tua alma é pura

Celeste flor,

Só aquecida

Por sóis de amor.

Já em ternura,

Já em rigor,

Dá vida e morte,

Ambas de amor.

Quando a perturba

Casto pudor,

Encolhe as asas

Tremendo amor.

Se do ciúme

Sente o fulgor,

Em mar de chamas

Se afoga amor.

Se me concedes

Terno favor

Terei por lume

Somente amor.

Porém no templo

Mandarei pôr

O teu retrato

Em vez de amor.