Frutas e flores

By João da Cruz e Sousa

Laranjas e morangos — quanto às frutas,

Quanto às flores, porém, ah! quanto às flores,

Trago-te dálias rubras, d’essas cores

Das brilhantes auroras impolutas.

Venho de ouvir as misteriosas lutas

Do mar chorando lágrimas de amores;

Isto é, venho de estar entre os verdores

De um sítio cheio de asperezas brutas,

Mas onde as almas — pássaros que voam —

Vivem sorrindo às músicas que ecoam

Dos campos livres na rural pobreza.

Trago-te frutas, flores, só apenas,

Porque não pude, irmã das açucenas,

Trazer-te o mar e toda a natureza!