FUGITIVA

By Gustavo de Paula Teixeira

Adeus! Já não és minha e me não amas! Nunca

Em tua alma floriu um sentimento nobre!

A dor de te perder a própria voz me trunca,

Mas, vai! deixa que a nau sem bússola soçobre!

Meu coração, que o teu olhar de espinhos junca,

Se estorce e plange como um sino triste dobre.

Do meu castelo azul fizeste uma espelunca

De um asceta infeliz, de um miserando pobre!

Vai, andorinha!... Chega entre boreais rajadas

O inverno que faz voar os pássaros dispersos,

E veste de neblina as loiras alvoradas.

Mas, embora de mim e do meu pranto mofes,

Hás de sempre escutar o choro dos meus versos,

Há de seguir-te sempre um séquito de estrofes!